Tuesday, April 19, 2011

Quando s Olhos de Deus... When the Eyes of the Almighty...



Monday, April 18, 2011

Mercearia tradicional merece estatuto de património regional- Traditional azorean corner store deserves to be considered regional heritage


Como continua a ser comovente recordar as visitas à mercearia onde as mulheres se juntavam para comentar os eventos do dia, cheirar a sardinha salgada ou depenicar nos torresmos e no queijo cortado as fatias e cujo perfume inundava o lugar diluindo-se nos aromas do vinho de cheiro do outro lado onde os homens sorviam os calzinhos e os meios.

 A história das trocas comerciais é uma das mais fascinantes da humanidade. Perde-se no tempo. Da proto – moeda às trocas virtuais; Do ocre – vermelho aos cartões de crédito. A evolução da sociedade e as relações entre povos e indivíduos está intrinsecamente ligada ao comércio e à moeda.

Para muitos dos imigrantes de primeira geração, a moeda foi um bem raro e precioso. A maioria das relações comerciais na aldeia fazia-se através da troca de produtos: trocava-se batatas por ovos, manteiga de porco por couves, sal por farinha, açúcar por milho.

Quem possuía determinados produtos da terra (nomeadamente a couve, as uvas, a batata) costumava pendurar à porta de casa a espécie que produzia para venda.
À parte destes comerciantes de ocasião existiam as mercearias, que ainda hoje sobrevivem nas freguesias açorianas, embora cada vez em menor número e mais descaracterizadas. A mercearia do Senhor José Louro era das poucas coisas que alegrava os sábados do número 28 na rua 24 de Agosto no Pico da Pedra. O sábado trazia para mim e, para muitas outras raparigas da rua, uma obrigação à qual ninguém podia fugir: faze r a limpeza da casa. No meu caso tudo fazia para fugir a sete pés daquele martírio semanal. Mas nada feito. O mando da minha mãe, o seu olhar austero de vassoura numa mão e pano de pó na outra deitavam por terra qualquer esperança de um repouso no sétimo dia do Senhor, aquele dia que Deus escolheu para o ócio divino, depois de tanto trabalho a colocar no seu lugar o céu e a terra, o mar, a lua, o sol, as estrelas e Adão e Eva no paraíso.

Se é bem verdade que feitas as limpezas restava ainda a casa da Eduarda do Gabriel da Felicidade para a brincadeira, não é menos verdade que até lá não havia outro remédio senão lavar, varrer, mudar a roupa das camas, limpar o pó e sacudir os tapetes.

Mas depois dos afazeres domésticos e, antes da casa da Eduarda ficava sempre a mercearia do José Louro, uma viagem ao fim do mundo, aquele que aos 12 anos era o meu Universo: a Norte o mar das Calhetas a perder de vista confundindo-se com o céu, a Sul o Monte do Sr. João Luís da Câmara beijando descaradamente as nuvens. O horizonte começava e acabava naqueles dois muros insuperáveis: de um lado o oceano do outro a serra. Perto ficava então o cosmos da mercearia do Senhor José Louro.

Chegava sempre com o dinheiro bem contado: o suficiente para o «mandado» e, um «pirolito» ou um gelado. A mercearia estava (já não está pois nela foi recentemente construída uma residência) situada na esquina da rua do Alecrim. Ao começar o dia, o Senhor José Louro colocava à porta uma cortina de delgadas fitas de plástico coloridas, que durante o Verão impedia a entrada de moscas e do sol. A porta da loja era azul de madeira, encimada por uma portinhola de pequenas janelas. O interior estreito era suficiente para três ou quatro pessoas, que à vontade podiam ficar à conversa. Passavam o tempo com um dos cotovelos no balcão e, uma das mãos segurando a saca de trapos para as compras. De tempos a tempos deitavam a cabeça por entre as fitas espreitando o mundo da rua do Alecrim. As paredes no interior da mercearia estavam cobertas de armários de vidro, pintados de um amarelo velho. Neles se guardavam os produtos da mercearia: as massas, os doces, as bolachas Maria da Moaçor, condimentos, latas de sardinha e atum, sabão branco e azul, o clarim, linhas, agulhas de renda e de máquina, botões. E eu perdia-me rebuscando com o olhar cada compartimento redescobrindo produtos, descortinando outros.

Os cheiros misturavam-se: o bacalhau, o queijo cortado aos centavos, o fermento de padeiro, o coalho, os alhos e cebolas, o álcool, o petróleo para os candeeiros. Um festim de aromas inundava a minha curiosidade. À entrada e, junto a uma das paredes ficavam as sacas de lona contendo feijão, favas, tremoços e ainda batatas e inhames, milho e farinhas. Ao lado a taberna, onde homens cansados e robustos, rapazes descalços e velhos jogando o dominó falavam da vida por entre «mêzinhos»e «calzinhos». E eu, com um pirolito, corria para casa, não estivesse já atrasada.

Este mini cosmo não passou despercebido ao inglês Henry Buller nas suas viagens a S. Miguel vindo de Inglaterra nas embarcações que transportavam a laranja açoriana. Em «Um Inverno nos Açores e Um Verão no Vale das Furnas», H. Bullar menciona vários aspectos da ilha, entre eles, a mercearia.

Referindo-se nomeadamente à vida em Ponta Delgada no ano de 1838, Bullar diz: «O rés-do-chão das casas é utilizado para lojas, armazéns ou estrebarias. As lojas recebem a luz pelas portas e não têem montras. Não há aqui, portanto, aquela alegre variedade de frontarias dos estabelecimentos, como na Inglaterra. Pelas portas abertas se vêem os balcões e prateleiras com as mercadorias. (…) Mais adiante, um pequeno molhe de achas, uma réstia de cebolas, algumas cabeças de alho e duas ou três velas penduradas noutro pau, indicam uma mercearia.»

Após o 25 de Abril e a entrada de Portugal na União Europeia em 1986, a expansão comercial nas ilhas conheceu momentos de grande euforia. Os Açores recebiam novos produtos e o consumidor tornava-se mais exigente, o que para muitos justificou a completa destruição das antigas mercearias substituindo-as por estabelecimentos sem qualquer caracterização, mas que todavia proporcionavam mais mobilidade ao consumidor. Por todas as ilhas, relíquias do património imóvel português foram dilapidadas para dar lugar a estabelecimentos incaracterísticos, mas mais funcionais. E, enquanto as últimas mercearias se despedem dos anos gloriosos da vida mercantil local, as grandes superfícies comerciais vão elas também sufocando os estabelecimentos criados sobre um património, que ainda sobrevive na memória de muitos. As novas lojas vão fechando as portas enterrando consigo uma rica herança, que poderia ser uma mais valia turística para as ilhas e, para o país em geral.


Celebrando a amizade entre crianças - To celebrate friendship between children

Caros Leitores/as

Desejo partilhar convosco um achado que revi entre as minhas caixas. Este o primeiro poema que se encontra “vivo” da minha infância. Eu tinha 13 anos e a Eduarda 12. Este foi um presente de aniversário. Recordo o dia em que o escrevi: fazia frio e chovia. Era noite e todos dormiam.
Sem qualquer pretensão estas quadras infantis trouxeram-me as lágrimas aos olhos pela singeleza e a amizade dos tempos em que se é criança.

Dear Readers,

I wish to share with you a finding from my old boxes. This is my first written poem that survived from my childhood. I was 13 and my friend Eduarda 12. It was to celebrate her birthday I remember the day I wrote it: it was cold and raining. It was night and everyone was asleep.
These simple words bought me to tears. How unpretentious and sincere is friendhsip amongst children.

Friday, April 15, 2011

Milagre na Biblioteca - Miracle in the Library




My first book published by:
Editorial Ilha Nova Publisher - – 2002
Praça da República • 9680-115 Vila Franca do Campo
PHONE:011 351 296 53920
EMAIL:mgaspar@cmvfc.pt

This book is illustrated by an extraordinary young man from Vila Franca: Luis Pereira.

A naively constructive story, that from ingenuity itself brings forward precious teachings and reconciles the good, the beautiful and the useful.
Difficult task, but the only way to bring together generations, spirit and technology. "
Ex- university of Azores rector
Prof. António Machado Pires





Uma primeira experiência que foi editada pela editora Ilha Nova,
Praça da República • 9680-115 Vila Franca do Campo
PHONE:011 351 296 53920
EMAIL:mgaspar@cmvfc.pt
O livro tem ilustrações de um jovem extraordinário vilafranquense Luís Pereira.


"Uma história ingenuamente construtiva, que da própria ingenuidade tira o ensinamento precioso que e conciliar o bom, o belo e o útil.
Tarefa difícil, mas que é a única maneira de harmonizar as gerações, o espírito e a tecnologia.”
Prof. Antonio Machado Pires
 

GÁVEA BROWN – Motherland Dundas






Thursday, April 14, 2011

Immigrant


Running

from a sobbing land

Unsettling.

 

Hiding

from the nomen they call us by

names

carried through

the ghostly plains of Atlantis.

 

Veiling,

the wounds they embrace

in resignation

stains in white sheets

displayed

while we

bearing the scars in obligation

scavenge for a benevolent endearment.

 

Concealing

the lies are fed

Until dormant the stab becomes mute,

under wild berries and purple hydrangeas.

 

Fleeing

from cries of exasperation

they look defenseless

mute

holding to a trail of pride

asking for absolution.

 

 

All is but a faded name

carved on a willow tree...

 

Humberta Araujo


De Angola com Amor

De Angola com Amor
De Toronto com Memória

Humberta Araújo

Nos braços, as chagas. No corpo ascético as feridas vivas da heresia. Assim se injuria a alforria do verbo, a voz subtil da consciência.
Passeava sozinha na sua Luanda.
Esquadrinho a cidade alta luandinense. O miradouro que tem uma das melhores vistas da cidade – com uma espectacular paisagem donde se podia ver o nascer dos raios solares, a farfalharem as linhas marítimas. Pelo que observo só ficou o nome.
Agora a cidade alta não pode ser…nem espreitada.
O poder controla a visão do povo. A natureza não pode ser desfrutada por todos…o povo se rendeu…e os turistas não se queixam! Vasculho com o meu olhar curioso a cidade baixa luandinense, mas não encontro. Aonde esta a cidade baixa¨
Assim, como ela esquadrinhamos os espaços que nos moldaram. Deambulamos sozinhas, sem escoltas ou especial protecção iluminando os corredores dos espaços, que nos tentam roubar, mas que ainda nos são próprios, para sempre nossos. Essas vielas, onde cravamos as nossas histórias quando todos dormiam. Essas canadas e cidades, pequenas freguesias, becos sem nome, que amamos apesar das discordâncias e dos impropérios rasgados, em horas de angustias e desânimo.
Isabel Ferreira, autora de “O Guardador de Memórias” que esteve o ano passado em Toronto para apresentar a sua ultima obra, prefere pensar que o assalto foi mera coincidência. A coincidência de quem se encontra no lugar errado no momento errado. ¨Os casos de assaltos em Luanda são frequentes, diz-nos a autora “e quero acreditar que tudo não passou de uma coincidência”.
Mas ela sabe que as palavras na folha são cartazes para o mundo – nem tanto para o seu povo, que tem pouco acesso à literatura ou por mero desinteresse, porque o consumismo e as necessidades básicas tornaram-se preocupações primárias, ou porque o sistema apura subtilmente a sua censura. “Temos um grande problema em Angola. Temos falta de infra-estruturas e de dinheiro. Apesar das universidades, o dinheiro é para satisfazer as necessidades básicas e não para ler.”
Mesmo assim os livros queimam-se. “No caso do Nirvana os livros foram todos comprados pelo Ministério e depois queimados. Agora faço como me disse o Urbano Tavares Rodrigues: primeiro lança lá fora, depois em casa”.


As consoantes e vogais na plenitude da sua função: libertação e morte. Ela mostra-me as cicatrizes. E eu, que vivo no canto onde a liberdade tem asas, olho os golpes que ali vão ficar para lá de todos os tempos, na sua história de mulher e soldado dos parágrafos.
“Entre a cadeia de culpa e a expiação do pecado alheio a manhã vai ao adro. Cada um, à sua maneira, comenta a tragédia.”
Liberdade de expressão?
“Estive 2 meses em Angola. Infelizmente fui alvo deste assalto. Fui esfaqueada, mas prefiro acreditar que foi algo que aconteceu por acaso. Não quero acreditar que fosse por causa do livro, mas senti tal pelo que disse a comunicação social”.
Isabel Vicente Ferreira, nascida em Luanda é actualmente a viver em Portugal, esteve em Toronto a convite da Associação dos Jovens Angolanos. Através do departamento de Língua Espanhola e Portuguesa da Universidade de Toronto apresentou o seu último trabalho de ficção ‘O Guardador de Memórias`, uma colecção de histórias, que têm como pano de fundo a música angolana e alguns dos seus mais celebrados interpretes. Um olhar sobre a vida em Angola e, sobretudo das suas mulheres. Um observar aguçado da condição feminina, um contemplar da relação do seu povo com o poder, dos seus modos de vida próprios, onde fórmulas de sobrevivência encontraram raízes, sem nunca perderem a beleza e o puro misticismo das gentes. Para quem desconhece África “O Guardador de Memórias” é indubitavelmente uma relíquia que transporta o leitor para mundos, que nos deviam ser mais familiares, pela proximidade histórica dos nossos povos, por passados que convergiram para bem ou para o mal.
A escrita de Isabel Ferreira nasce da “consciência real do tempo, que se exprime através dos nossos personagens. Quero ser esta consciência de falar da nossa realidade mesmo que ele seja incómoda”.
A diáspora e a literatura
“A receptividade deste meu livro foi muito boa no estrangeiro. Como todos sabemos ninguém e profeta na sua terra.” A gargalhada é honesta e partilhada.
“Reparo que há um interesse cada vez maior em saber mais dos escritores da diáspora, mas ainda se conhece pouco daquilo que se faz noutros países de expressão portuguesa. Portugal é o país que mais acolhe os artistas africanos, mas necessitamos de estudos globais sobre a literatura que se faz em Africa. Já há algumas universidades com trabalhos de investigação importantes. Porém, necessitamos de mais.”
Ficou o desafio.
Isabel Ferreira conta já com uma interessante colecção de obras que vão da poesia, à ficção e ao teatro.
Na poesia é autora de “Laços de Amor”, “Caminhos Ledos”, “Nirvana” e a “Margem das Palavras Nuas”. Na ficção “Fernando D’Aqui” e o “Guardador de Memórias”, para além de estar presente em diversas antologias.

Wednesday, April 13, 2011

“Tale of a grandmother who couldn´t read”


"Grandmother took her little book and looked for a comfortable place among the flowers near her house painted white and lime green."

“A Avó tomou então o seu pequeno livro e procurou um lugar confortável no meio das flores junto à sua casa de cal bordada a verde.”

In “Tale of a grandmother who couldn´t read”

The illustrations were done by me and they represent a traditional house from the island of Santa Maria, Azores and grandma is made from dry corn leafs.

A book 4 Portuguese kids around the world

This was my second children´s book published in 2003.
It is a colection of 3 stories for kids - bilingual - Portuguese and English.
It is sold out and we plan to  have a second edition soon with a CD.
If you would like to have it pls contact the author by email: iam.future@yahoo.ca